O amor que guardei para mim

Somos substituíveis ou deixamos as pessoas passarem fácil demais?

Publicado em 28/04/2016, às 07h05 | Atualizado em 26/05/2016, às 15h06

Por Malu Silveira

Malu Silveira vai compartilhar sobre relacionamentos (os que deram certo e os que não deram) / Foto: Luiz Pessoa / NE10

Malu Silveira vai compartilhar sobre relacionamentos (os que deram certo e os que não deram) Foto: Luiz Pessoa / NE10

Pense num baque que é escutar a frase 'ninguém é insubstituível'. Bem que parece uma prerrogativa de que somos todos iguais. Como se um certo alguém não trouxesse consigo uma bagagem especial, um mundo particular, tantos sonhos, tantas ideias divertidas, tantos trejeitos engraçados, tantas expressões que lhe são totalmente características. Como se não houvesse nada de diferente, nem um tantinho único. Singular, então, nem pensar.

Cansa só de lembrar das vezes que nos disseram que encontraríamos novos amigos, novos amores, criaríamos novos ciclos sociais. Daqui a pouco, olha lá!, as mesmas antigas interações, declarações iguaizinhas, saídas bem parecidas, abraços com a mesma intensidade. Você até confunde, não sabe quem ficou, quem foi e quem é de verdade. Relaxa, é o que dizem, você nem vai lembrar.

Termina que não apertamos os laços, não críamos raízes, não nos deixamos ficar, parece até que também nem queremos que os outros fiquem. Não estreitamos relações, não deixamos um pouco de nós no próximo e não levamos nada conosco. É como se repetíssemos sempre o mesmo erro, afinal na próxima parada haverá mais um outro alguém para construir uma mesma nova e velha história.

Temos a impressão de que em cada esquina encontraremos as mesmíssimas pessoas de antes em outras novas pessoas e que assim a caminhada continuará com os mesmos ideais. E então vamos criando relações frágeis, que nada aguentam, que pouco suportam, que em qualquer momento podem acabar. A gente não sabe o que fazer para ficar e depois pensa que na verdade não queríamos era continuar.

A gente faz uma besteira aqui, outra acolá e nos perdoamos. Mas seguimos fazendo sempre as mesmas coisas

E assim desfazemos amizades, sejam elas virtuais ou reais, cortamos relações familiares, rompemos relacionamentos com uma facilidade que impressiona. Ninguém deixou uma marca. É a terra dos substituíveis. Colocamos preços nos outros e eles são fáceis demais de alcançar. É o reino da 'vida que segue'. A gente faz uma besteira aqui, outra acolá e nos perdoamos. Mas seguimos fazendo sempre as mesmas coisas.

Claro, existirão novos amigos, novos amores, novas famílias - sejam elas de sangue ou não. Faz bem respirar novos ares, muito mais frescos. Mas a impressão que fica nesta frase é que, em muitos momentos, não sabemos agregar. É como se tivéssemos uma facilidade enorme de seguir em frente sem ter cuidado com aqueles que encontramos lá atrás. E, às vezes, quem tanto importa, termina sendo substituível fácil demais. Que baque essa mania de dizer que ninguém é insubstituível.

Hoje, estreio a coluna O amor que guardei para mim, resultado de um blog pessoal que leva o mesmo nome. A ideia é compartilhar impressões sobre experiências próprias e de outras pessoas. Momentos, lugares, Fé, relações, sentimentos. Escrevo o que sinto porque gosto de voltar no tempo e sentir a leveza de já não sentir mais aquilo que senti um dia. Ou voltar a sentir sensações maravilhosas que experimentei tantas vezes. Sou uma garota de palavras! Escrevo por mim, para mim, pelos outros e para os outros. E também para entendermos a vida, um tanto sofrida, e esse tal do amor. Vamos nessa? 

 

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

O amor que guardei para mim Malu Silveira é jornalista. Uma garota de palavras e que adora frases de efeito. Escreve para tentar entender a vida e esse tal do amor. Outros textos em www.oamorqueguardeiparamim.com.br. maluspmelo@gmail.com

COMENTE ESTA MATÉRIA

Nome:
E-mail
Mensagem

O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O NE10 reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.

  • De: marcelop- 29/04/2016 11:40 Que felicidade, Malu, descobrir um outro lado de sua sensibilidade, o carinhoso trato com as palavras. Sucesso.
  • De: Carlos Silva- 29/04/2016 11:12 Mas esse jogo de substituição que se infere do texto eu acredito que é algo que faz parte da própria vida, pode parecer algo vazio, mas a própria mutabilidade e efemeridade da vida permite isso, que esqueçamos e conheçamos novas pessoas sempre, e outra vez e novamente.
  • De: Adriane Gonzaga- 29/04/2016 11:02 Adorei esse texto, refletiu exatamente o que estava pensando nos últimos dias. Sempre tive a sensação de que as pessoas estavam sendo substituídas, inclusive eu mesma substituí muitas. Mas já percebi que é muito melhor cultivar as relações e aprender algo novo com elas, do que dispensá-las porque não achei o queria encontrar nelas. A preocupação não deveria ser essa, mas sim apenas viver e saber lidar com o outro e suas diferenças. Faz bem pra o "eu" e pro "outro", e é bem melhor do que a solidão.
  • De: Andréa Rêgo- 29/04/2016 10:55 Estreia auspiciosa, Malu! Muito bom encontrar eco do que sentimos nas reflexões alheias! :-)
  • De: Vinicius- 29/04/2016 10:14 Sim Malu, vamos nessa, estou junto com você, muito bonito seu texto e continue publicando, parabéns.
  • De: Chacon- 29/04/2016 08:31 Vou acompanhar essas postagens pra tentar aprender algo. No entanto, creio que o fica mesmo são os momentos vividos, sua intensidade e seu aprendizado. Ou mesmo, como explicado, as marcas que deixamos ou que recebemos.
  • De: Keila Moraes- 28/04/2016 10:44 Incrível. Muita sensibilidade pra captar o que a gente insiste em disfarçar e fingir que não. Adorei! :)
VEJA MAIS COMENTÁRIOS
Vitrine NE10
Vitrine NE10
Fechar vídeo