O amor que guardei para mim

Esta saudade que esmaga

Publicado em 19/05/2016, às 09h00 | Atualizado em 25/05/2016, às 17h23

Por Malu Silveira

Saudade quando chega, parece que não tem hora marcada pra voltar / Foto: Free Images

Saudade quando chega, parece que não tem hora marcada pra voltar Foto: Free Images

É piegas, eu sei. Mas, não tem jeito, saudade quando aperta, esmaga tanto que chega a doer. Essa abstinência de pessoas, lugares e momentos que teima tantas vezes em não passar.  É complicado, eu sei. Mas que mania de querer estar junto quando não tem mais como ficar por perto. É que essa saudade insiste em não saber esperar. 

É estranho, dá pra notar. Mas saudade quando chega, parece que não tem hora marcada pra voltar. É um tal de sentir falta de quem já foi e não vai voltar mais, de quem mora longe, de quem perdemos o contato pelos desencontros da vida. Uma saudade de grandes amores, de amizades inesquecíveis, de momentos memoráveis. Saudade da rotina, da convivência, porque depois que elas acabam só quem fica é aquela ausência tão chata. Saudades do que já fizemos ou até do que deixamos de fazer. 

Saudades de tempos mais fáceis, de colo de mãe ou de comida de vó. Saudades de correr na chuva e não pegar resfriado. Saudades de não precisar se preocupar com o que teremos que fazer amanhã. Saudades de balançar na rede e conseguir escutar as ondas do mar que iam e voltavam bem devagar. Ou daquela velha inocência, que não conseguia reparar no mundo maldoso que girava lá fora. 

Saudade é tão forte que não tem nem sinônimo. É tão incompreensível que às vezes faltam palavras para explicar, a gente só consegue sentir
Saudade de perguntar como foi o dia. De saber das pequenas grandes novidades. De compartilhar segredos, de sonhar os mesmos sonhos. Saudades de abraços, beijos. Saudades de instantes e até de cheiros.  Saudades de piadas que ninguém mais entende, de dividir histórias, de gargalhadas sinceras no meio do sufoco. Vontade de saber se está tudo bem, se precisa de algo mais e ou de poder dizer que nós podemos contar um com o outro.

Saudade é tão forte que não tem nem sinônimo. É tão incompreensível que às vezes nos faltam palavras para explicar, a gente só consegue sentir. É tão confusa que não há como definir a sensação. É um sentimento nebuloso, eu sei. Mas é que essa danada quando chega, em diferentes momentos e em diversas proporções, aperta tanta o coração que chega a doer. 

» Outros textos em O amor que guardei para mim 

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

O amor que guardei para mim Malu Silveira é jornalista. Uma garota de palavras e que adora frases de efeito. Escreve para tentar entender a vida e esse tal do amor. Outros textos em www.oamorqueguardeiparamim.com.br. maluspmelo@gmail.com

COMENTE ESTA MATÉRIA

Nome:
E-mail
Mensagem

O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O NE10 reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.

Vitrine NE10
Vitrine NE10
Fechar vídeo