O amor que guardei para mim

Precisamos falar sobre desapego

Publicado em 20/10/2016, às 08h20 | Atualizado em 01/11/2016, às 11h50

Por Malu Silveira

Desapego talvez seja aprender a desatar nós e compreender os laços / Foto: Pixabay

Desapego talvez seja aprender a desatar nós e compreender os laços Foto: Pixabay

Eu pensava que seria só uma vez. Mas se repetiu. Pela segunda, pela terceira. Até que se tornou infinitas vezes. Aconteceu com outras, com outros. Com tanta gente. Se duvidar, aconteceu até comigo também. De repente, meus murais virtuais estavam lotados de textos vinculados a fotos de pessoas bem resolvidas, desprendidas, indiferentes. Meus feeds de notícias e imagens estão preenchidos, mas não é de amor, é de desinteresse. Mensagens que falam muito - mas muito pouco - sobre um tal de desapego.

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Sim, nós precisamos falar sobre ele. Necessitamos urgentemente entender o desapego. Eu não entendo, talvez você não entenda. E muito provavelmente um bocado de gente está sem entender também. Mas sim, devemos e necessitamos urgentemente discutir o assunto. Precisamos falar sobre relacionamentos falidos, pessoas apáticas, papos egocêntricos, ciclos viciosos. 

Precisamos conversar sem medo sobre paixões não correspondidas, diálogos frios, dores inexplicáveis e pés na bunda. Precisamos dizer o que sentimos mas, principalmente, deixar de fingir sensações que não nos pertencem. Precisamos sentir o luto, botar pra fora as angústias, procurar respostas e não desculpas. Devemos digerir nossas inseguranças, admitir nossos fracassos e deixar cair nossas lágrimas. 

Sim, precisamos demais refletir sobre o desapego. Precisamos destruir uma corrente que não une, apenas separa. Precisamos tirar os celulares do modo avião, responder mensagens, deixar tudo claro, permitir que o outro siga em frente e evitar meias respostas. Precisamos e necessitamos parar de confundir maturidade com egoísmo. Precisamos urgentemente saber ir embora sem destruir o caminho que deixamos pra trás.

Precisamos e devemos conversar sobre desapego. Até que esteja bem claro não apenas nas nossas intenções, mas principalmente nos nossos gestos. Para isso, precisamos - e podemos - entender o que é o respeito com a dor do próximo, empatia com a tristeza do outro e paciência com os defeitos alheios.

Certa vez eu li que amar com desapego é deixar que nossos afetos sigam suas trilhas, mesmo que isso signifique lidar com a distância. É deixar ir, mesmo com a ilusão de que o outro vá ficar. É aprender a desatar nós e compreender os laços. Até que o vínculo seja tão forte que não haja uma necessidade inconsequente de posse.  

Volto a dizer. Eu não entendo, você talvez não entenda e posso apostar que mais um tanto de gente fique sem entender também. Mas uma coisa é mais que certa: desapego, definitivamente, não é desinteresse. Pouco tem a ver com desprendimento ou indiferença. Precisamos urgentemente falar sobre ele. Até que entendamos que desapego não é desamor. É aprender a ter consciência - não só de si, mas principalmente do outro. 

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

O amor que guardei para mim Malu Silveira é jornalista. Uma garota de palavras e que adora frases de efeito. Escreve para tentar entender a vida e esse tal do amor. Outros textos em www.oamorqueguardeiparamim.com.br. maluspmelo@gmail.com

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