Só a vida, não basta!

"A arte existe porque a vida não basta"

Publicado em 18/01/2018, às 18h16 | Atualizado em 18/01/2018, às 18h34

Por Diego Garcez

Diego Garcez estreia coluna com provocações e reflexões sobre o cotidiano / Foto: acervo pessoal

Diego Garcez estreia coluna com provocações e reflexões sobre o cotidiano Foto: acervo pessoal

A partir hoje temos um encontro marcado todas às quintas-feiras aqui no NE10. Encontro premeditado e semanal é quase uma união estável, então permita-me nesse texto de estreia dizer quais são minhas sinceras intenções com você.

Não pretendo ser ameno, mas também não queimarei como ácido. Serei sempre absolutamente honesto, mentirei um punhado de vezes, mas sempre com honestidade. A literatura permite isso, na verdade nos obriga, a honestidade é prerrogativa dessa arte. Por mais que seja nos moldes de Fernando Pessoa, com uma dor fingida, mas deveras sentida.

Não prometo solução para nada, nem tampouco orgasmos múltiplos, mas também não sofro de ejaculação precoce. Nos divertiremos bastante o suficiente ao ponto de mais na frente podermos dizer que fomos felizes, apenas isso. Afinal a vida não precisa de solução, nem de muito gozo, só de uma boa transa com amor e um bocadinho de tempo livre.

Preciso dizer que a definição de amor nesse texto será sua e somente sua, aproveite e libere a imaginação, mas já vou deixando claro que nem sempre o trabalho será só meu. Estou aqui para provocar alguma reflexão e terei pouquíssimas respostas, então prepare-se para aprendermos coisas juntos. Dizem por aí que isso nos faz seres humanos melhores e eu acredito nisso.

Entre a crônica e o ensaio  

Ferreira Gullar em sua casa, em Copacabana

Ferreira Gullar em sua casa, em CopacabanaFoto: Ana Branco

Esse tipo de texto no qual estamos nos encontrando exatamente agora, e marcará o local de todos os nossos próximos encontros, recebe o nome de Crônica. Experimentado por grandes nomes da nossa literatura e definitivamente marcado pela obra de Rubem Braga.

Mas não dá pra negar o flerte com o gênero Ensaio. E quem inventou essa história de falar sobre tudo com um caráter opinativo foi um tal de Montaigne lá na França renascentista, século XVI. De fato ele escreveu sobre quase tudo, de flatulência à embriaguez.

Falo isso para anunciar que também não teremos temas fixos por aqui, pois assim é que acontecem os melhores encontros. Cada semana vamos bater um papo sobre alguma coisa existente nesse negócio que chamam de vida.

O nome do gênero literário Ensaio, me fez lembrar Milan Kundera na Insustentável Leveza do Ser quando fala que a vida não permite ensaio. Tudo que estamos fazendo, seja a primeira ou a última vez, é a vida e não temos tempo de ensaiar antes. Talvez ele esteja certo, mas esqueceu que "a arte existe porque a vida não basta." como disse nosso Ferreira Gullar. E na arte pode-se tudo, inclusive ensaiar sobre o nada.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Só a vida, não basta! Diego Garcez Diego Garcez é sobretudo poeta, mas encontrou na crônica uma forma de diálogo mais palatável para o mundo das pernas aceleradas. É formado em relações internacionais, empreendedor e entusiasta do Porto Digital, corredor nas horas vagas e pai em tempo absolutamente integral. Facebook: Diego Garcez | Instagram: @garcezdiego. diego.garcez1510@gmail.com

COMENTE ESTA MATÉRIA

Nome:
E-mail
Mensagem

O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O NE10 reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.

Vitrine NE10
Vitrine NE10
Fechar vídeo