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Infância

Excesso de tecnologia afeta a saúde física e mental das crianças

Publicado em 07/12/2016 , às 18 h00

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Pais devem observar se são permissivos demais com os filhos e como eles se comportam em todos os ambientes / Foto: EBC

Pais devem observar se são permissivos demais com os filhos e como eles se comportam em todos os ambientes Foto: EBC

A tecnologia está cada vez mais e mais cedo presente no cotidiano das crianças. As consequências do excesso, no entanto, precisam ser levadas em conta pelos pais. Para orientar médicos, pais e educadores sobre o assunto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um manual de sobre a saúde de crianças e adolescentes na era digital.

No texto, entre as consequências elencadas pelo uso excessivo de tecnologia, estão o aumento da ansiedade, a dificuldade de estabelecer relações em sociedade, os transtornos de sono e de alimentação, o baixo rendimento escolar e as lesões por esforço repetitivo. Além disso, o estímulo à sexualização precoce, a adesão ao cyberbullying, o comportamento violento ou agressivo e a exposição precoce a drogas também aparecem como efeitos danosos para a saúde individual e coletiva, com graves reflexos para o ambiente familiar e escolar.

Segundo a pediatra e homeopata Márcia Varejão, o número de crianças que estão chegando aos consultórios com distúrbios de ansiedade ou atenção e até mesmo atraso no desenvolvimento motor causados pelo exagero no consumo de tecnologia está crescendo. "Algumas vêm até nós com a atenção tão dirigida ao eletrônico que apresentam atraso no desenvolvimento tanto da fala, quanto motor grosso, ou seja, são crianças que não correm, não exploram o ambiente, não se comunicam e assim não desenvolvem a fala", explica a médica.

A médica pediatra reforça, no entanto, nem todos os sintomas do uso excessivo de tecnologia são ligados a distúrbios neurológicos. "Com o aparelho eletrônico, a criança fica o tempo todo alerta e, muitas vezes, competindo, gerando uma situação contínua de ansiedade. Podendo comprometer o sono", explica a pediatra.

Mãe de duas meninas, de 5 e 8 anos, Kellen Lacet conta que as filhas tiveram acesso a aparelhos eletrônicos a partir de 1 ano, mas  o tempo que as meninas passam com os aparelhos em mãos é controlado. "Elas não podem ficar muito tempo no tablet, incentivamos que elas leiam livros, brinquem com jogos e bonecas fora da tela", explica a mãe.

Além disso, o uso dos eletrônicos pelas meninas é supervisionado pela mãe. "Estou sempre de olho para ter certeza de que elas não terão acesso à conteúdos inapropriados. As crianças ainda não sabem dosar, então nós, os adultos, que temos que estabelecer limites, se não este uso pode se tornar prejudicial", explica Kellen.

Estabelecendo limites no uso de aparelhos eletrônicos

SBP fez uma série de recomendações sobre a saúde de crianças e adolescentes na era digital

SBP fez uma série de recomendações sobre a saúde de crianças e adolescentes na era digitalFoto: EBC

“Existem benefícios e prejuízos advindos dessas tecnologias. O desafio é saber usá-las na dose certa”, explica a presidente da SBP, Luciana Rodrigues da Silva. Para a presidente da sociedade, as crianças e adolescentes devem estar dentro de um plano de “dieta midiática”, que leva em conta a idade, o desenvolvimento cognitivo e a maturidade da cada um. Para isso, os pequenos precisam ser orientados sobre como se proteger e, além de ter conhecimento sobre todos os riscos. A presidente, no entanto, ressalta que, como em qualquer plano de reeducação física ou alimentar, pais, responsáveis e professores devem estar engajados para que os bons resultados apareçam.

No que diz respeito à crianças com menos de dois anos, o manual da SBP aconselha que seja evitado ou até proibida a exposição passiva às telas digitais, com acesso a conteúdos inapropriados de filmes e vídeos. O veto deve ocorrer, principalmente, durante a hora das refeições ou nas horas que antecedem o sono. No caso dos pequenos com idades entre dois e cinco anos, a sociedade afirma que a exposição deve ser de, no máximo, uma hora por dia.

Por não conseguirem separar a fantasia da realidade, a orientação é que as crianças até seis anos sejam protegidas da violência virtual. Para os menores de 10 anos, fazer uso de televisão ou computador nos seus próprios quartos não é recomendado. “A orientação visa evitar que as crianças fiquem vulneráveis a conteúdos inapropriados ou, ainda, que tenham acesso facilitado às redes de pedofilia e exploração sexual online, compra e uso de drogas, pensamentos ou gestos de autoagressão e suicídio, além das ‘brincadeiras’ ou ‘desafios’ online que podem ocasionar consequências graves”, comenta a médica Evelyn Eisenstein, que coordenou a elaboração do Manual da SBP.

 

No caso dos adolescentes, também não é recomendando o isolamento em seus quartos. “É preciso estabelecer limites de horários e mediar o uso com a presença dos pais para ajudar na compreensão das imagens. Além disso, é preciso equilibrar as horas de jogos online com atividades esportivas, brincadeiras, exercícios ao ar livre ou em contato direto com a natureza”, ressaltou a especialista.

Conforme o manual, jogos online com cenas de mortes, tiroteios ou desastres e que ganham pontos de recompensa não são apropriados em qualquer idade. O motivo, segundo o guia, é a banalização a violência como sendo aceita para a resolução de conflitos, sem expor a dor ou sofrimento causado às vítimas. 

Valores familiares e regras de proteção social para o uso saudável, crítico e construtivo das tecnologias precisam estar presentes nas conversas familiares. Segundo o manuel, é preciso enfatizando a relevância ética de não postar qualquer mensagem de desrespeito, discriminação, intolerância ou ódio, bem como sobre nunca compartilhar senhas, fotos ou informações pessoais ou se expor a pessoas desconhecidas.

Confira abaixo algumas das recomendações da SBP:

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Excesso de tecnologia afeta a saúde física e mental das crianças


Crédito: Guilherme Castro / NE10

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  • De: Benil Ramos- 08/12/2016 09:43 Filho, leia essa matéria. Está muito interessante. Bj

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