Inclusão

Modelo brasileira está orgulhosa de ser ícone transexual

Publicado em 21/02/2017 , às 10 h26

AFP

Valentina, que não usa seu nome de batismo, junto com Lea T, filha do ex-jogador Toninho Cerezo, porta-voz da diversidade de gênero, racial e orientação sexual nas Olimpíadas do Rio-2016, faz parte do primeiro grupo de modelos brasileiras que lutam aberta / Foto: MIGUEL MEDINA / AFP

Valentina, que não usa seu nome de batismo, junto com Lea T, filha do ex-jogador Toninho Cerezo, porta-voz da diversidade de gênero, racial e orientação sexual nas Olimpíadas do Rio-2016, faz parte do primeiro grupo de modelos brasileiras que lutam aberta Foto: MIGUEL MEDINA / AFP

A modelo transexual brasileira Valentina Sampaio se sente "orgulhosa" de ser um ícone do movimento transgênero, afirma em entrevista à AFP, enquanto se prepara para a estreia nas passarelas de Milão na Semana de Moda que começa na quarta-feira (22).

Com 1,77 de altura, olhos verdes, lábios carnudos, pele clara, cabelos castanhos e nenhuma maquiagem, a esbelta modelo é antes de tudo uma menina bela e tímida, que diz não ter sofrido as dificuldades da maioria das transexuais para ser aceita e que sonha em desfilar com grandes nomes da moda italiana, como Armani. A primeira transgênero a ser capa da revista de moda Vogue Paris, Valentina está satisfeita com a homenagem feita na edição francesa de março da famosa publicação.

"Sim, estou orgulhosa. Acho que este é um momento importante, a moda é um instrumento onde as coisas podem fluir livremente. Neste momento está sendo debatido (a questão dos transexuais), falado, para que no futuro a gente possa ser livre desses preconceitos", explica a modelo de 22 anos.

Valentina iniciou sua carreira no Brasil há quase quatro anos, chegando a ser embaixadora da L'Oreal e figura de destaque da Semana de Moda de São Paulo, em outubro de 2016, após desfilar para marcas como Água de Coco e Vitorino Campos."Quero seguir batalhando por um mundo melhor", diz a jovem, com tom suave, apesar de falar sobre um assunto tão delicado e doloroso como a transexualidade e sua luta para que seja vista como algo normal.



"Não vejo isso como um defeito, como uma anomalia", explicou Valentina, que durante toda a entrevista evitou usar os termos transgênero, transexual e a sigla LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais).

Um segredo: a mudança de sexo

"Cada um é cada um, João é João, Maria é Maria, Valentina é Valentina", diz, de forma divertida, embora não queira revelar seu segredo. "Não falo disso", respondeu assertivamente ao ser questionada sobre a cirurgia de mudança de sexo. Sobre a crescente visibilidade da transexualidade, Valentina assegura que "não quer rotular ou dar títulos". 

"Me matriculei em Fortaleza na faculdade de Arquitetura, depois passei para a de Moda, por isso sempre quis visitar a Itália. Estou encantada", conta durante a entrevista realizada em um parque do centro de Milão, cidade que visita pela primeira vez. Filha de um casal jovem, "meu pai tem 45 anos e minha mãe, 42", Valentina cresceu em uma pequena localidade do Ceará, onde garante que não se sentiu discriminada e contou com o respeito e apoio dos pais. "Desde criança, desde menino, sempre me senti uma menina", afirma.

"Eu cresci no interior do nordeste, no Ceará, fui protegida naquele lugar pequeno, onde todo o mundo te conhece e te respeita. No começo da carreira aconteceram coisas. Também vi coisas, (ouvi) comentários feios", afirma, lembrando ter perdido um de seus primeiros contratos de uma campanha publicitária por ser transexual. "Era uma marca mais conservadora. Decidiram que não era uma boa imagem para a marca", explica. "Me senti mal, queria deixar esse trabalho. Mas aquilo não me parou", acrescentou.

Valentina, que não usa seu nome de batismo, junto com Lea T, filha do ex-jogador Toninho Cerezo, porta-voz da diversidade de gênero, racial e orientação sexual nas Olimpíadas do Rio-2016, faz parte do primeiro grupo de modelos brasileiras que lutam abertamente contra o preconceito e a violência contra os transexuais. "O conselho que eu tenho para dar é que eles (os transexuais) têm que acreditar neles mesmas, mesmo nas dificuldades. Nada pode pará-los", diz a modelo que tem 35.000 seguidores no Instagram.

"Muitas vezes não existem oportunidades para essas pessoas, as portas estão fechadas quando chegam aos seus ouvidos. Acho que isso tem que acabar. É importante que qualquer trabalho que você vai fazer seja pelo seu profissionalismo, por seu talento", sustenta. Valentina Sampaio, assim como a diretora da Vogue Paris, Emmanuelle Alt, estão convencidas de que a batalha estará vencida quando não for necessário explicar as razões pelas quais escolheram uma transexual para trabalhar.

PALAVRAS-CHAVE: entretenimento moda & beleza

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