Adeus

Pernambuco perde o batuque do percussionista Naná Vasconcelos

Publicado em 09/03/2016 , às 08 h08

Do NE10

Coração do percussionista não resistiu e parou de bater às 7h39 desta quarta-feira / Foto: JC Imagem

Coração do percussionista não resistiu e parou de bater às 7h39 desta quarta-feira Foto: JC Imagem

O coração do grande percussionista Naná Vasconcelos, de 71 anos, bateu pela última vez nesta quarta-feira, dia 9 de março. Filho de um violonista do Recife, Naná teve na infância influências musicais que iam de Villa-Lobos a Jimi Hendrix. Especializou-se em instrumentos de percussão brasileiros, particularmente o berimbau. A primeira universidade a que teve acesso foi a Universidade do Samba de Sítio Novo, imaginária entidade nascida das lucubrações do professor Jomard Muniz de Britto nos idos de 1966, onde Naná se graduou no instrumento que o fez ganhar o mundo. Juvenal de Holanda Vasconcelos (nome de batismo) nasceu no Recife mas ficou conhecido em outros países - morou 27 anos nos Estados Unidos e outros cinco em Paris, onde trabalhou e gravou discos.

Depois de tocar por algum tempo em cabarés e bandas da capital pernambucana, ainda jovem mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu Luiz Eça, Wilson das Neves, Gilberto Gil, e passou a acompanhar Milton Nascimento e o Som Imaginário. Em 1970 foi convidado para integrar a turnê do saxofonista argentino Gato Barbieri pelos Estados Unidos e Europa.

Foi nessa época que Naná radicou-se em Paris, onde gravou seu primeiro disco, “Áfricadeus”. Em 1973 gravou no Brasil “Amazonas”, que se tornou um marco na combinação de percussão e voz na MPB. De volta ao País, trabalhou com Egberto Gismonti por oito anos, tendo gravado juntos três álbuns, entre eles o aclamado “Dança das Cabeças”.

Na década de 70, o pernambucano tocou com grandes nomes da música internacional como Pat Metheny, B.B. King e Paul Simon. Foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat e ganhador de oito prêmios Grammy.

LEIA MAIS
» Sob a regência de Naná Vasconcelos, Recife já pulsa Carnaval 
» Naná Vasconcelos apresenta convidados do Carnaval 2016
» Naná Vasconcelos, o rei do Carnaval do Recife
» Naná Vasconcelos fica na memória do pernambucano como o mestre dos mestres dos maracatus
» Naná Vasconcelos começou a vida de músico tocando na noite com o pai

Naná, que tem uma África dentro de si, é responsável há muitos anos pela abertura do Carnaval do Recife. Em 2013, foi um dos homenageados da folia, ao lado do fotógrafo Alcir Lacerda.



O percussionista, muitas vezes desconhecido dos brasileiros, é admirado por artistas nacionais como Maria Bethânia que, um dia, em entrevista, o usou como exemplo do mais completo significado de cultura popular brasileira: aquele que não é estático, que renova a tradição.

O pernambucano foi um dos autores da trilha sonora da animação O Menino e o Mundo, do diretor paulista Alê Abreu, o único filme brasileiro que concorreu ao Oscar em 2016.

Em setembro de 2015, descobriu um câncer no pulmão – na mesma semana, recebeu a informação de que seria Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Foi com seu berimbau que o músico esteve em dezembro de 2015 na UFRPE para receber o título de doutor.

VELÓRIO - O corpo do percussionista Naná Vasconcelos vai ser velado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), na Boa Vista, área central do Recife, a partir das 14h desta quarta-feira (9). O enterro será na quinta-feira (10), às 10h, no cemitério de Santo Amaro.

LEIA MAIS
» Paulo Câmara e Geraldo Júlio lamentam morte de Naná Vasconcelos

Na abertura do Carnaval do Recife, em fevereiro deste ano. Última apresentação no palco que foi dele durante muitos anos. Viva Naná!

O espetáculo de Naná Vasconcelos e seus batuqueiros no palco do Marco Zero é uma tradição do Carnaval do Recife #OmelhorCarnaval #CarnavaldoRecife #NE10Folia

Posted by NE10 on viernes, 5 de febrero de 2016

PALAVRAS-CHAVE: música entretenimento

Continue Lendo

COMENTE ESTA MATÉRIA

Nome:
E-mail
Mensagem

O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O NE10 reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.


Vitrine NE10
Fechar vídeo